Sobre a Mesa

Sopa Borsht – tradição Ucraniana em solo brasileiro

Por: Divulgação.
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Beterraba: os primeiros registros dessa raiz surgiram por volta do século XVIII AC, na Mesopotâmia e no Egito. Foto: Banco de Imagens.

A pesquisadora e chef de cozinha Helena de Menezes conta que os primeiros registros dessa raiz surgiram por volta do século XVIII AC, na Mesopotâmia e no Egito. O país de origem, porém, é a Península dos Balcãs, pois a beterraba é da época dos sérvios, citados pelo russo Anatole Klyosov, professor de Harvard, como o povo mais antigo encontrado na península balcânica, dados como descendentes de Jafé, filho de Noé que herdou as terras do Norte. A beterraba crescia no território da Sérvia (antiga Iugoslávia) e aos poucos, foi absorvida pelos habitantes locais e levada para a Romênia, espalhando-se para a Europa. Os romanos e gregos usavam. Porém foram os eslavos dos Balcãs e Cáucaso os maiores consumidores, visto que usavam a beterraba pra tingimento dos tapetes fabricados pelas tribos nômades. A raiz fervida resultava na cor que transitava do bordô ao pink e rosa claro. Era usada nas comidas servidas com iogurtes e cremes de nata. A mais famosa é a sopa Borsht, feita de carne e beterraba. Popular entre vários povos eslavos que reivindicam sua nacionalidade, ela é uma sopa rica de nutrientes, quente e a beterraba, um de seus principais ingredientes, confere uma tonalidade vermelha única e sabor personalíssimo.

Sopa Borsht: tradição ucraniana mantida na . Foto: Divulgação.

Tradição em território brasileiro

No Brasil, é considerada como original da Ucrânia, presença garantida nas mesas em importantes ocasiões festivas, a sopa é um dos pratos típicos mantidos pelos ucranianos que vivem no Brasil. Mas também é conhecida na culinária do Leste Europeu e entre os russos, sérvios, poloneses, bielorussos, letões, lituanos, romenos além de judeus. Sua receita se espalhou pelo mundo todo, ganhando inúmeras variações. A palavra “eslavo” é definida como “aquele que vem do Leste”. As primeiras descrições que temos dos eslavos chegaram pelos romanos. Eles eram descritos como bárbaros e guerreiros ferozes que se pareciam com lobos. Nas estepes geladas, otomanos em campanha usavam um gorro de pele aproveitando as cabeças dos lobos, para se proteger do frio.

Ingredientes:

03 beterrabas

03 batatas médias em cubinhos

03 tomates maduros para molho

01 cenoura

02 talos de salsão em rodelinhas

01 peito de frango cortado em cubinhos

02 xícaras de repolho roxo

01 cebola batidinha na faca (brunoise)

05 dentes de alho espremidos

Suco de limão à gosto ou vinagre de cidra

02 colheres de manteiga

Sal à gosto, louro e orégano.

Pimenta à gosto – do reino ou fresca vermelha

01 colher de chá de sementes de alcaravia

01 colher de chá de cominho armênio (opcional)

250 ml de creme de leite

Nata à gosto para enfeitar

1 ramo de Dill (erva-doce) e cheiro verde para enfeitar

Modo de Preparo:

 

Lave muito bem as beterrabas com uma escova e cozinhar em panela de pressão com dois litros de água com um pouco de açúcar ou mel. Após cozidas, deixar amornar e suavemente retirar a casca com os dedos, reservando o caldo do cozimento. Enquanto cozinha a beterraba, em uma panela quente, adicione a manteiga e doure os alhos e a cebola, em seguida acrescente o tomate em cubos, salsão em rodelas, alcaravia, pimenta, sal, louro e orégano amaciando neste refogado o peito de frango, cobrindo com pouca água. Abaixe o fogo e tampe a panela e após quase secar o caldo de cozimento do frango adicionar as batatas, o repolho, a cenoura e cozinhe suavemente no vapor que se forma com a panela tampada. "Os vegetais cozidos em pouca água absorvem melhor os temperos e sem fogo alto nunca perdem o poder nutritivo", destaca a chef.

 

Após o cozimento, separe o frango e reservar os pedaços. Levar o refogado e as beterrabas mornas ao liquidificador com um pouco da sua própria água de cozimento e bater bem. Despejar a mistura na panela com o frango aos pedaços, corrigir o sal. Acrescentar o creme-de-leite para dar a cor magenta, mexer bem e ferver até que borbulhe ficando cremosa.

Servir com pão preto, os temperos verdes e creme-de-leite azedo. Para fazer o sour-cream caseiro, misturar 1 lata de creme-de-leite sem o soro e o suco de um limão. Deixe descansar por 10 minutos e servir em uma molheira à parte.