Adega

Cachaça

Genuinamente brasileira

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Pinga, aguardente ou cachaça, as diferenças desaparecem quando focamos na parte histórica da bebida tipicamente brasileira.  Existem algumas versões sobre seu surgimento e até uma lenda, bem polêmica por sinal:

“Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado). Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o “azedo” do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente, era a cachaça já formada que pingava, por isso o nome (PINGA). Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores, ardia muito, por isso deram o nome de ÁGUA ARDENTE. Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo. Hoje, como todos sabem, a AGUARDENTE é símbolo nacional!”

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Até hoje não se sabe como esse texto ganhou publicidade, é somente lenda. Uma coisa é certa: a cachaça não nasceu por acaso, embora não exista registro preciso de sua aparição. Historicamente seu surgimento se deu durante as primeiras tentativas de exploração das terras brasileiras pelos portugueses, que trouxeram ao Brasil a cana-de-açúcar e as técnicas de destilação. A notícia boa é que podemos nos orgulhar. Ela é brasileira!  São três estados que aparecem como possíveis precursores da bebida: Pernambuco, Bahia e São Paulo, entre os anos de 1516 e 1532.

É Tudo igual?

"Toda cachaça é uma aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça!"

 

Para classificarmos a bebida como cachaça é preciso obedecer a alguns pré-requisitos. O básico é que sua matéria prima seja exclusivamente a cana-de-açúcar. É obtida a partir da extração do caldo fresco (feito em moendas adequadas), de preferência em, no máximo, 48 horas após o corte da cana. Fermenta-se e depois se destila. Sua graduação alcoólica é entre 38% e 48%. Pode levar até 6 gramas de açúcar por litro, expressos em sacarose,  de acordo com a lei.

A bebida pode ser consumida pura ou passar por um processo de maturação em barris ou dornas de maneira, que influenciam diretamente na cor e no sabor da cachaça. Embora muitos produtores utilizem - para o envelhecimento - o barril de carvalho, que é oriundo do Hemisfério Norte, o Brasil possui uma vasta gama de madeiras que podem fazer parte desse processo: amburana, bálsamo, jequitibá-branco, jequitibá-rosa, ipê, ariribá, grápia, cabreúva etc. 

Até aí o processo é utilizado é o mesmo que ocorre na fabricação da aguardente, por isso toda cachaça é uma aguardente. Acontece que, quando o teor alcoólico do destilado ultrapassa 38%, já não é caracterizado como cachaça, e sim aguardente. A regra é a mesma quando adicionadas especiarias ou frutas na fabricação. Um exemplo clássico é a “cachaça de banana” a tal “bananinha” que, na verdade, é uma aguardente de banana. Existe uma variedade de aguardentes com as mais diversas matérias-primas: canela, laranja, milho, jabuticaba, uva e muitos outras.

A palavra “aguardente” vem do grego acqua ardentes que significa água de fogo e é o nome dado às bebidas alcoólicas que foram fermentadas e em seguida destiladas.

A pinga é uma referência ao processo de destilação que é feito em alambique de cobre. O suco da cana é aquecido na panela e seu vapor é resfriado e condensado lentamente, saindo aos pingos. 

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